O julgamento dos acusados pela morte da líder quilombola Mãe Bernadete ganhou novos desdobramentos após um dos réus alterar o depoimento prestado anteriormente à polícia. Durante o júri popular realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o acusado afirmou ter sido submetido a tortura e pressão para indicar quem seria o mandante do crime.
A declaração foi feita em plenário, diante dos jurados, e provocou reação imediata das partes envolvidas no processo. A defesa sustenta que o novo relato compromete a validade da confissão inicial, enquanto o Ministério Público questiona a mudança de versão e defende a consistência das provas já reunidas.
O caso investiga o assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, morta a tiros em agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo as investigações, o crime teria relação com disputas territoriais e a atuação da vítima contra grupos criminosos na região.
Durante o julgamento, o réu havia admitido participação no crime em depoimentos anteriores, mas agora afirma que a confissão foi obtida sob coação. Ele também recuou na indicação de quem teria ordenado a execução, ponto considerado central para a acusação.
O júri teve início no dia 13 de abril e segue com a oitiva de testemunhas, interrogatórios e debates entre acusação e defesa. A expectativa é que a decisão dos jurados ocorra após a fase final de argumentações.
O assassinato de Mãe Bernadete foi marcado por extrema violência, com múltiplos disparos de arma de fogo, e gerou forte repercussão nacional e internacional, mobilizando movimentos sociais e entidades de direitos humanos.
A sentença do caso deve definir não apenas a responsabilidade dos executores, mas também esclarecer a possível existência de mandantes por trás do crime.
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